O novo mundo dos velhos

O fim da vida é uma passagem que precisa de amor Crônicas   | 9 de fevereiro de 2011

Em países como o nosso, os velhos são quase sempre considerados um peso morto. Muitas famílias acham difícil manter seu velho avô ou pai dentro de casa. Muitas avós sofrem discriminação e desprezo. Não era assim, no entanto: há muitos anos, nas famílias tradicionais brasileiras, o lugar do velho era de um conselheiro experiente, querido e respeitado.
A disputa capitalista selvagem fez com que as famílias acabassem por não ter mais lugar para seus velhos. E isto é muito triste. Em alguns países, há programas especiais para adaptação do velho a novas maneiras de viver, quando aposenta.
Há respeito por eles, nos ônibus, nas filas, nos enormes parques ensombreados.
Mais que nunca é preciso fazer do velho um instrumento útil na vida familiar, ingressado em tarefas compatíveis, amado por seus netos e seus filhos. Dizem que as pessoas são como os vinhos: ou são cada vez mais saborosos; ou são vinagre, porque a vida as foi azedando. A família e a sociedade azedam ou não a vida de seus velhos. Cabe ao amor adocicá-los e fazêlos produtivos.
Integrar o velho na família é necessário, ainda porque nós, as pessoas de hoje, seremos bem mais velhas que nossos pais e avós conseguirão ser. Basta dizer que, nos Estados Unidos, a população com mais de 65 anos cresceu 56% nas duas últimas décadas, enquanto a faixa com menos de 65 anos aumentou apenas 19%.
Isto nos faz chegar a uma conclusão: a América está envelhecendo.
O fenômeno, porém, é mundial. Certamente acontece também aqui. É que o desenvolvimento da medicina aumentou muito a expectativa de vida do ser humano. Enquanto, no início do século, um bebê nascido nos Estados Unidos viveria 47
anos e alguns meses, hoje ele chega a 75 anos, em média. A medicina prevê que este limite chegará a 85 anos, por volta de 2050. Por isso, é preciso que a pessoa, ao se aposentar, ainda encontre prazer em ser útil à família ou procure um trabalho paralelo, compatível com sua idade e desgaste pessoal até aquela data. Os velhos que trabalham fora ou no próprio lar, inseridos na vida produtiva da família, são muito mais felizes.
Mas é preciso pensar: no momento em que nosso velho familiar não puder mais ser útil e produtivo para a sociedade, nosso carinho e amor devem compensá-lo da doença e da solidão. O fim da vida é uma passagem que precisa de amor. E o amor mais desejado é daqueles que nos são caros e nos rodearam durante toda a vida. Inclusive, naqueles momentos cheios de luz da nossa mocidade.

Autor Desconhecido

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