Férias e Feriadões

Trocou o ano, e lá estamos nós na folhinha, dando uma "bisoiada" nos feriados Crônicas   | 10 de março de 2011

O brasileiro é louco por um feriadão. Aliás, por vários, quanto mais melhor. Tudo é motivo para comemorações. Então, salve nossa terra e a alegria do nosso povo!

Trocou o ano, e lá estamos nós na folhinha, dando uma  bisoiada nos feriados. Sim, pois ninguém é de ferro: temos de descansar da semana batalhada; dar uma renovada na carcaça cansada, consequência dos exaustivos compromissos profissionais, do conturbado relacionamento familiar, da estafante e ansiosa espera pelos precatórios prometidos pelo governo e pelo ‘enorme’ reajuste salarial que os brasileiros receberam.

Não faz muito que se foram aquelas festas intermináveis de fim de ano; que comemos aquele maldito peru por uma semana e de todas as formas possíveis. Ninguém iria colocar um peru fora, o negócio é roer até o último osso.

Mas o problema destes feriados é o antes e o depois. A gente se mata antes – com todos os preparativos -, e se enterra na volta, mais cansados do que antes. E isso serve também para as férias.

A agonia, o estresse, o trabalho que se tem para tirar uns dias, para descansar fora da nossa cidade, não é nada estimulante. A expectativa de felicidade é que nos leva à uma certa euforia equivocada.

Vejam só: cada elemento da família leva duas malas, mais sacolas comunitárias, mais a mala do cachorro, mais as sacolas das comidas semiprontas, mais cobertas, travesseiros… E, ainda, revisar o carango pra enfrentar muitos quilômetros, muitas subidas e várias ultrapassagens numa estrada cheia de curvas.

Mas, de um modo geral, os alegres brasileiros retornam pela mesma estrada, com horas e mais horas de congestionamento, estressados, neuróticos e iludidos de que descansaram.

Mas brasileiro é curto de memória: no próximo feriadão, todos estarão a postos novamente, sonhando com o sol, céu, mar, cervejinha, bermudão e com um coração saltitando de alegria! E uma mão de obra que dá pena.

Qual a razão de tantos feriados, de prolongadas férias aqui no Brasil, quando nos países de primeiro mundo os viventes de lá tiram apenas uma semana? Ó, Deus… é bonito isso, num país emergente, em que a saúde pública tá toda sucateada e apodrecendo? Pra que este esbanjamento de ócio? Não é dinheiro que se perde?

Bem, mas em março todos estarão retornando, com aquela cor de ferrugem, com a pele que mais parece um maracujá, reclamando do bicho do pé, doenças-de-praia, cabelos ressecados… E todos estressados. Ou com a tal depressão pós-férias.

Mas isso são coisas nossas, afinal somos um povo muito alegre… Mas com uma memória bem curtinha, que faz parte do nosso DNA.

Como dizem os paulistanos… Fazê o quê?

http://taisluso.blogspot.com

 

 

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